CONTATO: valter.roberta.padulla@gmail.com

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

COMIDA PERNAMBUCANA - LOCAIS E CURIOSIDADES

CARANGUEJOS

Os caranguejos são crustáceos que possui nas costas uma carapaça protetora.
Habitam as regiões litorâneas do mundo todo, sendo que algumas espécies preferem área de mangue.

Alimentam-se de peixes e outras espécies de animais mortos.

Possuem dois olhos na extremidade da cabeça.

O caranguejo do casco amarelo é o caranguejo Sá, o de casco azul é o Guaiamun e o do casco vermelho é o caranguejo Aratú.

Na parada que fizemos para o almoço, em Igarassú - PE, pudemos ver na calçada, vários tipos em exposição para a venda (fotos a seguir):

Descrição de Imagem: gaiola com vários caranguejos de casco azul, chamados de Guaiamuns

Descrição de Imagem: Caranguejo de casco amarelo, chama-se caranguejo Sá
Na verdade, neste passeio, não comemos o caranguejo, apenas registramos as imagens deles.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

MARMELÓPLIS - MG





Estávamos buscando um local para irmos no Ano Novo (2010/2011), mas queríamos um lugar tranquilo, longe daquela agitação típica de temporada.

Pesquisamos bastante e decidimos em passar o nosso Réveillon em MARMELÓPOLIS, estado de Minas Gerais.

Marmelópolis atenderia vários requisitos por nós listados, como por exemplo:
- Poderíamos percorrer trechos da Região da Estrada Real que ainda não conhecíamos,
- Poderíamos conhecer lugares interessantes no trajeto.

Descrição de Imagem: bandeira de Marmelópolis

DADOS DA VIAGEM

Nosso plano inicial foi:
DIA
SAÍDA
CHEGADA
KM DIA
1º dia
São Paulo - SP
Marmelópolis – MG
326 km
2º dia
Marmelópolis – MG
São Lourenço – MG (retorno Marmelópolis)
km
3º dia
Marmelópolis - MG
São Paulo – SP (via São Lourenço para passeio de trem)
km

Quanto ao gasto total dessa viagem de São Paulo/SP até Natal/RN, apresentamos os seguintes dados:
TIPO
1º DIA
2º DIA
3º DIA
TOTAL
HOSPEDAGEM




COMBUSTÍVEL




PEDÁGIO




ALIMENTAÇÃO




TOTAL







PROVIDÊNCIAS PARA VIAGEM

1.   1. Planejamento da rota:
1ª TRECHO (IDA) 
ROTA SÃO PAULO/SP ATÉ MARMELÓPOLIS/MG - VIA BR-116 (326KM)
(para visualizar detalhes da Rota, clique no link acima)

- Mogi das Cruzes SP / Guaratinguetá SP; 
- Guaratinguetá SP – Itanhandú MG; 
- Itanhandú MG / Passa Quatro MG; 
- Passa Quatro MG / Pouso Alto MG; 
- Pouso Alto MG / Virginia MG; 
- Virginia MG / Marmelópolis MG.


Descrição de Imagem: Mapa do 1º trecho da viagem (ida) Mogi das Cruzes / Marmelópolis

2ª TRECHO (VOLTA) - Trecho Marmelópolis – MG / Mogi das Cruzes – SP (390km)
- Marmelópolis MG / São Lourenço MG;
- São Lourenço MG / Piranguinho MG;
- Piranguinho MG / Itajubá MG;
- Itajubá MG / Delfim Moreira MG;
- Delfim Moreira / Lorena SP;
- Lorena SP / Mogi das Cruzes SP.

Descrição de Imagem: Mapa do 2º trecho da viagem (retorno) Marmelópolis / Mogi das Cruzes

OBS: Decidimos fazer este percurso, pois tínhamos o objetivo de percorrer trechos da Região da Estrada Real ainda desconhecido, mas existe a possibilidade de realizar trajeto mais curto até Marmelópolis.

2. Arrumando a mala:
- 04 mudas de peças íntimas;
- 01 pijama;
- 01 sunga / maiô;
- 04 camisetas;
- 02 calças jeans;
- 02 bermudas;
- 01 jaqueta;
- 01 boné / chapéu;
- 01 chinelo;
- 02 tênis;
- 01 toalha;
- Itens de higiene pessoal (pasta e escova de dentes, pente, sabonete, xampu, condicionador, hidratante, protetor solar, repelente, perfume)
- Equipamentos e acessórios (máquina fotográfica/filmadora; gravador digital, tripé, geladeira térmica, garrafa de água, caderneta de registro, mapas).
- Farmacinha (remédio para dor de cabeça, dor muscular, febre, gripe, digestivo, antisséptico, curativos, etc)

3. Hospedagem:
Encontramos na internet pouca oferta de pousada na cidade, devido o local ainda estar iniciando no ramo do ecoturismo.
Decidimos pela Pousada Bella Vista, de propriedade do simpático Sr. Domingos.
(R- Dalmo Wilson Ribeiro, 494 tel. (035) 3625-1241 / 9804-3833.)


Descrição de Imagem: Pousada Bella Vista em Marmelópolis

Inicialmente, estranhamos pelo local não ter e-mail, apenas telefone para contato, apesar de oferece rede wireless nas acomodações. Mas quando lá estávamos, o Sr. Domingo explicou que está sendo criado um site da pousada com o respectivo e-mail, pois a internet chegou a cidade a apenas 1 ano.

Estranhamos também porque não foi exigido nenhum depósito de adiantamento pela diária de R$ 30,00 por pessoa (incluído café-da-manhã). Imaginem pagar este preço por diária em plena temporada de Réveillon... Valeu cada centavo!

Mas pela conversa que tivemos com o proprietário, futuramente ele solicitará um depósito de valor parcial a hospedagem, pois relatou que ocorreu de pessoas confirmarem hospedagem, ele confiar e se programar para receber os hospedes e ninguém aparece. Uma pena!

Gostamos muito da pousada, pois fomos muito bem recebidos, tanto pelo Sr. Domingos, como pela funcionária Flávia.

As acomodações são muito confortáveis e tudo muito limpo!



Descrição de Imagem: Nosso quarto na Pousada Bella Vista em Marmelópolis

O café da manhã é simples, mas com tudo fresquinho e gostoso!



Descrição de Imagem: mesa de café da manhã da Pousada em Marmelópolis


Descrição de Imagem: mesa de café da manhã da pousada em Marmelópolis
Descrição de Imagem: Beta e Valter se servindo do café da manhã

No quintal da pousada existe um pomar com marmeleiros, figueiras e alguns animais soltos como galinhas, galo, gansos, maritacas e diversos outros pássaros.

Todas as manhãs fomos acordados bem cedo pelo canto do galo.


Descrição de Imagem: Beta no pomar da pousada, ao lado de um antigo marmeleiro

Descrição de Imagem: Valter com os marmelos na mão, do pomar da pousada
Descrição de Imagem: figueira do pomar da pousada

Descrição de Imagem: Gansos da pousada de Marmelópolis
A vista da Pousada Bella Vista é realmente deslumbrante, com uma visão panorâmica do vale de Marmelópolis

Descrição de Imagem: Beta e Valter e ao fundo a vista do vale de Marmelópolis do terraço da Pousada

Tanto o por do sol, como o nascer do sol, visto da pousada é um espetáculo deslumbrante!

Descrição de Imagem: Beta no momento do nascer do sol em  Marmelópolis

Na ceia de Ano Novo, realizaram uma festa de aniversário para uma das hospedes, foi tudo muito gostoso e bem familiar, adoramos!

OBS: Pela ceia de Ano Novo pagamos R$ 20,00 por pessoa a mais na diária do dia 31/dez.


Descrição de Imagem: festa de ano novo na pousada

Descrição de Imagem: mesa da festa de ano novo da pousada
Descrição de Imagem: Valter estourando a champanhe

Descrição de Imagem: os cumprimentos de Ano Novo

Descrição de Imagem: A ceia de Ano Novo


Descrição de Imagem: Valter e Roberta com os amigos da pousada Bella Vista em Marmelópolis na festa de Ano Novo 2011


VÍDEO DE NOSSOS DIAS EM MARMELÓPOLIS - MG


Clique na imagem acima para assistir ao vídeo



GEOGRAFIA

O município está situado no extremo da região sul de Minas, na micro região de Itajubá, em pleno maciço da Serra da  Mantiqueira, próximo a elevações como o Pico dos Marins com 2.422 metros, um dos pontos mais altos da serra, localizado na divisa com o estado de São Paulo.e é banhado pelo rio Santo Antônio, que se constituía numa das vias de acesso utilizadas pelas bandeiras que penetravam o território de Minas Gerais, no auge do Ciclo do Ouro. 

Marmelópolis só pode ser alcançada após percorrer cerca de 25 quilômetros de uma difícil estrada de terra e pedras. 



Descrição de Imagem: Beta e Valter  na estrada para Marmelópolis

Descrição de Imagem: cachoeira da estrada para Marmelópolis

Descrição de Imagem: Portal de entrada da cidade de Marmelópolis

Quem nasce em Marmelópolis é marmelopense, segundo informações de moradores.



HISTÓRICO

Contam que até o início do século XIX a região onde hoje se localiza a cidade de Marmelópolis era habitada pela tribo dos índios Timbiras. Esses índios desapareceram com a chegada dos primeiros colonizadores: o alferes Antônio José Ribeiro, sua esposa Dona Inácia Ribeiro e filhos, que vieram do Rio Grande do Sul com o desejo de encontrar ouro.

Construíram uma enorme fazenda e começaram o garimpo de ouro que encontrou em um bairro do município que recebeu o nome de Cata dos Marins. Esse ouro era levado em lombos de burros para o Rio Grande do Sul. Além do garimpo, também cultivavam milho, feijão e criavam muitos porcos, além do gado bovino.

Manoel Ribeiro de Carvalho, um dos filhos do alferes, quando estava para se casar, fez uma queimada para fazer uma grande casa com um imenso paiol e uma senzala onde moravam 40 escravos.

Daí o nome Queimada ao antigo povoado que foi nascendo em torno dessa fazenda e elevado a distrito pela Lei 115 de 27/01/1954.

Em 30 de dezembro de 1962 o distrito de Queimada foi desmembrado do município de Delfim Moreira e recebeu o novo nome de Marmelópolis, devido à grande produção de marmelo da região e no dia 1º de março de 1963 foi feita a instalação do município.


Infelizmente, como na maioria dos locais do Brasil, o patrimônio histórico não foi preservado e no local onde um dia existiu a casa, o paiol e a senzala, hoje existe uma antena e um prédio de uma empresa de celular (ao lado da Igreja Matriz).

Descrição de Imagem: local onde existia a casa do Capitão Neco, com o paiol e a senzala

Contam que nesta fazenda havia um chiqueirão muito grande que com uma área correspondente ao perímetro urbano do município e era todo cercado por valas feitas pelos escravos da fazenda, algumas ainda existentes no meio da mata, como por exemplo, a vala próxima da “Ponte Alta”, no caminho para Virginia.
Nesse chiqueirão tinha muitas araucárias (pinheiro do Paraná) que ajudavam na alimentação dos porcos com seus deliciosos pinhões. Os porcos do mato vinham à procura de alimentos, os escravos então faziam armadilhas para caçá-los no alto do morro que até hoje é conhecido como “Alto do Chiqueiro” local onde se encontra instalada outra torre de telefonia celular. 



Descrição de Imagem: Local conhecido como "Alto do Chiqueiro"

Com a Guerra do Paraguai em 1864, Manoel Ribeiro de Carvalho foi convocado para comandar uma tropa da localidade. Ficou administrando a fazenda o escravo de confiança chamadoTibúrcio, enquanto Manoel Ribeiro de Carvalho seguia com a tropa para o Rio de Janeiro recebendo o título honroso de Capitão Neco.

Um dos seus filhos (Manoel Frederico Ribeiro) trouxe para a Queimada em 1914 as primeiras mudas de marmelo. O marmelo, originário da Pérsia, foi trazido para o Brasil em 1532 por Martim Afonso de Souza. Devido ao solo e clima de Queimada, os marmeleiros adaptaram-se facilmente e em 1935 a agricultura do marmelo já era extensa e a primeira fábrica começou a ser instalada para transformar a fruta em “massa”, transportada para outras cidades para a produção de doce.


Descrição de Imagem: fruto do marmeleiro - marmelo

Com a instalação das fábricas de doces, sendo a primeira a da Colombo, fez-se necessário a construção de uma estrada (1944 – 1946) com uma extensão de 22 Km, ligando Queimada a Delfim Moreira, principal acesso até os dias de hoje.

Por volta de 1962 o número de pés de marmeleiros no estado de Minas Gerais era de 2.000.000, sendo que 600.000 pertenciam à Queimada e, no dia 01/03/1963 foi feita a instalação do município de Marmelópolis, sendo o senhor Joaquim Ribeiro da Mota nomeado intendente.
        
No início dos anos 80, a produção de marmelo já havia diminuído de maneira assustadora devido a falta de renovação dos marmeleiros e a falta de incentivo do governo, entre outros fatores. Devido à inflação galopante, frutas foram sendo importadas de países vizinhos e o que se produzia na região de Marmelópolis foi ficando estocado de ano para ano, ocasionando perdas e dívidas para agricultores e industriais.

 
Atualmente a produção da fruta é mínima e vendida a preço irrisório. Das fábricas que existiram, algumas foram demolidas, outras desabaram com o tempo.


Descrição de Imagem: fábrica de marmelada abandonada em Marmelópolis

Descrição de Imagem: fábrica de marmelada abandonada em Marmelópolis

Como já comentamos anteriormente, o Brasil não possui uma educação voltada a preservação de sua história e desta forma, um dos prefeitos que a cidade teve a tempos atrás, mandou demolir a antiga fábrica da CICA. Atualmente, no local, foi construído uma praça, o coreto e uma local destinado ao artesanato. 

Outra fábrica desativada foi a do Sr. João de Sene, também uma outra onde hoje é a Cooperativa, bem na frente da Prefeitura. Existiam outras duas no sertão do Leme.
      
A maioria dos agricultores aderiram à plantação de tomate, batata e outros produtos.

O Sr. Zequinha Camargo, hoje já falecido, foi um dos poucos cidadãos de Marmelópolis que continuou, mesmo que caseiramente, a produzir a marmelada caseira. Hoje, os filhos fundaram uma pequena indústria de doces e deram continuidade a produção da típica marmelada de Marmelópolis. Afirmamos que realmente é deliciosa!


Descrição de Imagem: fábrica de doce e marmelada em Marmelópolis

OBS: Por motivo do feriado de fim de ano, a família da fábrica de doces foram viajar para a praia, fechando a empresa e só nos deixando a oportunidade de comprar o doce no supermercado da cidade, que infelizmente só possuíam 3 unidades. Acho que ainda não se acostumaram com a idéia que Marmelópolis está se transformando num ponto turístico e nos dias de feriado poderão ser os de mais lucrativos.

Marmelópolis está iniciando-se no campo de turismo, graças às belas paisagens naturais aqui existentes: magníficas cachoeiras e trilhas ecológicas.

Segundo um ilustríssimo morador, tataraneto do Capitão Neto, conta que um dos filhos deste Capitão costumava tratar bem seus escravos e o outro, conhecido como João Bibiano, judiava muito de seus escravos. Tanto que, certa vez, uma de suas escravas que estava grávida, passando pela cozinha da casa, viu uma linda cesta de laranjas em cima da mesa e como ficou com muita vontade, pegou uma sem ordem, para chupar. Ao ser descoberta, o Sr. Bibiano levou-a ao tronco e bateu com a chibata até sua morte e do bebê em sua barriga. Enterraram-na numa vala no terreno próximo a casa e no mesmo local, tempos depois, nasceu um pé de laranja formoso, com o fruto muito doce como jamais nosso narrador havia experimentado. Mas infelizmente, a laranjeira não existe mais, ficando apenas na história.


Descrição de Imagem: Local da casa do filho do Cap Neco, Sr. Bibiano
A cidade do marmelo ficou nas lembranças e recordações de uma época gloriosa e seus “causos”.


Dados sobre a cidade

Marmelópolis possui cerca de 3 mil habitantes.

A igreja se apresenta imponente ao centro da cidade, localizada ao lado do antigo local da casa do Capitão Neco, seu paiol e sua senzala.

Descrição de Imagem: Igreja de Marmelópolis

Encontramos, logo cedo, duas  pessoas varrendo a rua, calçadas e a praça do centro da cidade, pois houve, na noite anterior, a festa de Ano Novo bem neste local. Não sabemos se  estes varredores são os garis da prefeitura ou apenas cidadãos colaborando com a limpeza da cidade.
Também achamos bem interessante as vassouras utilizadas, feitas de mato, como a muito tempo não víamos.
Descrição de Imagem: varredor da cidade de Marmelópolis

No caminho para a pousada, passávamos sempre pela frente da prefeitura, que leva o nome do ilustríssimo Capitão Neco.
Soubemos que o atual prefeito é parente distante dele.
Descrição de Imagem: Prefeitura de Marmelópolis

Uma curiosidade que percebemos foi que logo cedo, vários portões já estavam com saquinhos contendo leite e pão. Imaginem em nossas cidades alguém deixar em nossa porta uma encomenda assim, não demoraria muito para alguém passar e pegar indevidamente. Mas me lembro de meus pais contando que no tempo deles era comum o padeiro deixar diariamente a entrega na porta das casas. Percebemos que este também foi mais um costume que o progresso nos privou. 
Pela estrada também havia, em vários trechos, os latões de leite vazios prontos para serem trocados por outros cheio.

Descrição de Imagem: entrega de pão e leite a moda antiga, deixada no portão

Na região de Marmelópolis existem vários produtores de laticínios e como queríamos conhecer e comprar queijo, fomos à busca de um desses lugares. Mas andar pelas estradas cheias de bifurcações não é uma tarefa fácil e acabamos nos perdendo, foi então que cruzamos com um cavaleiro bem estranho, que nos conduziu até uma dessas fábricas e compramos um queijo delicioso e por um preço bem menor que costumamos pagar em nossa cidade.

Descrição de Imagem: cavaleiro com capa preta (para proteger da chuva), uma foice apoiada no ombro e um guarda chuva (fechado) na mão.

Descrição de Imagem: Valter saindo da fábrica de queijo



Se você gosta de locais tranquilos, contato com a natureza, realizar trilhas, andar a cavalo, comer alimentos saudáveis e buscar qualidade de vida, indicamos uma visita a esta encantadora cidade.